Quantas vezes ouvimos em reuniões ou lemos em diversos artigos que é
necessário alinhar a tecnologia e o negócio, sendo apontado como um dos
aspetos importantes o cálculo do ROI - Return On Investment - do
projeto? Quantas vezes a Administração da empresa pede à Direção de
Sistemas de Informação (SI) para que apresente uma estimativa de ROI dos
projetos a lançar ou dos projetos realizados e em curso? E, sem isso,
não aprova o lançamento dos novos projetos!
Este é um desafio cada
vez mais normal de ser lançado no mercado de SI, mas são poucos os
casos que tenho visto realmente comuns a fazer de forma rotineira.
Porquê?
Há muitas razões certamente, mas há uma que tenho
identificado como constante e que é: as equipas de SI não sabem como se
faz um ROI de um projeto! Noutros casos, os SI estão habituados a serem
meros executantes e desconhecem o que o projeto faz em termos de
negócio. Várias vezes oiço "Não sei para que é que aquilo serve.
Disseram-me para fazer isto!". E noutros casos ainda, mesmo sabendo o
que faz o projeto em termos de negócio, há a dificuldade da equipa de SI
em explicitar quais são as variáveis que podem fazer sentido para
avaliar o retorno.
Isto já lhe aconteceu? Em tempos também já
passei por isso. Quando saí do IST como Engenheiro Informático
ensinaram-me a especificar, criar arquiteturas, programar, etc, mas nada
de Gestão de SI. Mas é mais fácil do que parece. De uma forma
simplificada, o ROI tem por base dois caminhos de avaliação, que podem
inclusivamente ser simultâneos: a avaliação com base na geração de mais
negócio/receita e/ou otimização de processos existentes. Assim, os
passos base têm sempre como comparação a situação conhecida, isto é, é
comum definir como base comparativa a situação atual, o "nada fazer"
e/ou comparar vários cenários alternativos.
O cálculo do ROI
começa sempre pela identificação das variáveis em jogo no projeto, que
na geração de novo negócio tem associado, normalmente, potenciais de
receita vs investimentos feitos. No caso de otimização de processos há,
normalmente, uma variável sempre existente - "Tempo". Como se costuma
dizer: tempo é dinheiro e é isso mesmo!
Por exemplo, se a
implementação de um projeto me reduz em 50% o tempo de um processo, a
técnica é quantificar em dinheiro esse tempo. Se uma pessoa demora a
realizar uma tarefa 20 horas e com o novo projeto demora 10 horas, isso é
dinheiro no final do mês, pois aumenta-se a produtividade da
organização. Se, por outro lado, do projeto há a geração de receitas
oriundas do novo produto ou serviço, essa é também uma variável em jogo.
A verdadeira questão é: “Quanto dinheiro traz o novo projeto à
empresa?”.
E, assim, depois de se identificarem as diferentes
variáveis e as suas dependências, tem-se as condições base para
estruturar o modelo de negócio de cálculo do ROI. Há que separar todos
os custos de investimento, dos custos de manutenção (todos! há vários
"escondidos"), e definir tempo de vida do produto ou serviço subjacente
ao projeto. Tipicamente na informática o normal de um ciclo de vida de
um produto ou solução são os 4 ou 5 anos, contudo esta é uma variável
específica que depende também do mercado onde se encontra a empresa.
O
segredo é, comparar um ou mais cenários com o cenário base (normalmente
a situação existente) e está identificado o comparativo de ROIs. Com
estes dados, pode-se identificar outros indicadores de projeto como o
VAL - Valor Atual Liquido, Margens operacionais, Free Cash Flows, o
Custo de Oportunidade de lançamento do projeto, etc.
Aspeto adicional é o de ao longo da execução do projeto escolhido se ir analisando e comparando com o cenário previsto calculado, de forma a conferir a estimativa com a realidade do ocorrido. Este procedimento permite assim a avaliação do comprometimento estabelecido inicialmente e a aprendizagem do processo de avaliação de ROI para futuros projetos.
Em jeito de
conclusão, o aumentar da importância estratégica dos SI está também na
sua forma de gestão financeira e nas justificações perante a empresa da
sua capacidade de potenciar negócio, demonstrando-o! Os profissionais de
SI têm e devem, por isso mesmo, ter cada vez mais conhecimentos de
economia e gestão, saindo das suas normais áreas de conforto de "Bits e
bytes" e dos "If-then-else". O compreender o negócio é essencial para se
poder dar a melhor solução e valor acrescentado. Se nós, os
"informáticos", não o fizermos, os SI continuarão a ser vistos como uma
continua Atividade de Suporte das empresas e não como uma Atividade
Estratégica.
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Wednesday, September 5, 2012
Friday, August 10, 2012
Cloud-enabled
Julgo que serão poucos os profissionais de Tecnologias de
Informação que, presentemente, não terão conhecimento sobre o tema cloud. O
cloud computing é o futuro das organizações modernas.
E é o futuro porque trata-se de uma ferramenta poderosa. O
principal fator é a consequente redução de custos que decorre da sua adoção.
Fácil de comprovar o retorno de investimento, numa vasta panóplia de cenários,
constitui um fortíssimo atrativo a decisores de topo.
Os serviços cloud devem ser, atualmente, organizados de acordo com
quatro grupos de categorias:
- IaaS (Infrastructure as a Service) – aqui enquadra-se todo o hardware (e.g. servidores, storage, rede)
- PaaS (Platform as a Service) – plataforma computacional na qual serão provisionados os serviços desenvolvidos
- SaaS (Software as a Service) – que não é mais que um modelo de fornecimento de software assegurado através da Internet
- BPaaS (Business Process as a Service) – uma combinação de BPO (Business Process Outsourcing) com SaaS, que será um tema que pretendo partilhar um novo post convosco
Qual a melhor abordagem para me tornar Cloud-enabled?
- Analisar as aplicações que utilizam atualmente – este é um passo, na minha opinião, opcional, pois poderá utilizar toda a informação atualmente disponível na Internet para se inspirar.
- Procurar exemplos de aplicação, procurar casos de sucesso, procurar referências!
- Identificar um parceiro bem-sucedido numa implementação cuja realidade se assemelhe à sua.
A partir desta fase deverá ter à
sua disposição a referência com que se identifica e o parceiro que selecionou –
chega então o momento de passar à prática:
- Realizar a análise e auditoria à infraestrutura e aplicações existentes e relevantes neste âmbito
- Obtenção de relatório de análise que deverá identificar:
- Análise de impacto de modelo Cloud-enabled
- Arquitetura da solução
- Apresentação de ROI
- Tempo e custo de implementação de piloto
Chegámos à fase de decisão,
terá (idealmente) na sua posse algo que sustenta a viabilidade financeira de
adotar o cloud computing. É importante que, caso pretenda avançar, realize o
piloto/prova de conceito pois:
- Estes deverão ter custos de investimento menores
- Representam um menor risco para a Organização
- São de rápida implementação
- Permite-lhe avaliar o parceiro que selecionou para a fase prática deste processo
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