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Wednesday, September 5, 2012

ROI de Projetos de SI. Calcular é mais fácil do que parece!

Quantas vezes ouvimos em reuniões ou lemos em diversos artigos que é necessário alinhar a tecnologia e o negócio, sendo apontado como um dos aspetos importantes o cálculo do ROI - Return On Investment - do projeto? Quantas vezes a Administração da empresa pede à Direção de Sistemas de Informação (SI) para que apresente uma estimativa de ROI dos projetos a lançar ou dos projetos realizados e em curso? E, sem isso, não aprova o lançamento dos novos projetos!
Este é um desafio cada vez mais normal de ser lançado no mercado de SI, mas são poucos os casos que tenho visto realmente comuns a fazer de forma rotineira. Porquê?
Há muitas razões certamente, mas há uma que tenho identificado como constante e que é: as equipas de SI não sabem como se faz um ROI de um projeto! Noutros casos, os SI estão habituados a serem meros  executantes e desconhecem o que o projeto faz em termos de negócio. Várias vezes oiço "Não sei para que é que aquilo serve. Disseram-me para fazer isto!". E noutros casos ainda, mesmo sabendo o que faz o projeto em termos de negócio, há a dificuldade da equipa de SI em explicitar quais são as variáveis que podem fazer sentido para avaliar o retorno.
Isto já lhe aconteceu? Em tempos também já passei por isso. Quando saí do IST como Engenheiro Informático ensinaram-me a especificar, criar arquiteturas, programar, etc, mas nada de Gestão de SI.  Mas é mais fácil do que parece. De uma forma simplificada, o ROI tem por base dois caminhos de avaliação, que podem inclusivamente ser simultâneos:  a avaliação com base na geração de mais negócio/receita e/ou otimização de processos existentes. Assim, os passos base têm sempre como comparação a situação conhecida, isto é, é comum definir como base comparativa a situação atual, o "nada fazer" e/ou comparar vários cenários alternativos.
O cálculo do ROI começa sempre pela identificação das variáveis em jogo no projeto, que na geração de novo negócio tem associado, normalmente, potenciais de receita vs investimentos feitos. No caso de otimização de processos há, normalmente, uma variável sempre existente - "Tempo". Como se costuma dizer: tempo é dinheiro e é isso mesmo!
Por exemplo, se a implementação de um projeto me reduz em 50% o tempo de um processo, a técnica é quantificar em dinheiro esse tempo. Se uma pessoa demora a realizar uma tarefa 20 horas e com o novo projeto demora 10 horas, isso é dinheiro no final do mês, pois aumenta-se a produtividade da organização.  Se, por outro lado, do projeto há a geração de receitas oriundas do novo produto ou serviço, essa é também uma variável em jogo. A verdadeira questão é: “Quanto dinheiro traz o novo projeto à empresa?”.
E, assim, depois de se identificarem as diferentes variáveis e as suas dependências, tem-se as condições base  para estruturar o modelo de negócio de cálculo do ROI. Há que separar todos os custos de investimento, dos custos de manutenção (todos! há vários "escondidos"), e definir tempo de vida do produto ou serviço subjacente ao projeto. Tipicamente na informática o normal de um ciclo de vida de um produto ou solução são os 4 ou 5 anos, contudo esta é uma variável específica que depende também do mercado onde se encontra a empresa.
O segredo é, comparar um ou mais cenários com o cenário base (normalmente a situação existente) e está identificado o comparativo de ROIs. Com estes dados,  pode-se identificar outros indicadores de projeto como o VAL - Valor Atual Liquido, Margens operacionais, Free Cash Flows, o Custo de Oportunidade de lançamento do projeto, etc.
Aspeto adicional é o de ao longo da execução do projeto escolhido se ir analisando e comparando com o cenário previsto calculado, de forma a conferir a estimativa com a realidade do ocorrido. Este procedimento permite assim a  avaliação do comprometimento estabelecido inicialmente e a aprendizagem do processo de avaliação de ROI para futuros projetos.
Em jeito de conclusão, o aumentar da importância estratégica dos SI está também na sua forma de gestão financeira e nas justificações perante a empresa da sua capacidade de potenciar negócio, demonstrando-o! Os profissionais de SI têm e devem, por isso mesmo, ter cada vez mais conhecimentos de economia e gestão, saindo das suas normais áreas de conforto de "Bits e bytes" e dos "If-then-else". O compreender o negócio é essencial para se poder dar a melhor solução e valor acrescentado. Se nós, os "informáticos", não o fizermos, os SI continuarão a ser vistos como uma continua Atividade de Suporte das empresas e não como uma Atividade Estratégica.

Friday, August 17, 2012

Os termos mais "Hype" da Cloud

Confesso que não fazia ideia de que a Gartner avaliava o quão Hype são as tecnologias, por isso foi com alguma surpresa que recebi o seguinte artigo: Gartner: Cloud computing's most over-hyped terms.

Ao que parece, as tecnologias podem encontrar-se, em termos de ciclo de vida, numa de 5 fases distintas:
  1. Etapa inicial, que contempla o Trigger para a tecnologia, ou seja, o driver que leva a que a mesma surja.
  2. Segunda etapa, onde as expectativas inflaccionadas relativamente ao que se pode fazer com a tecnologia.
  3. Na terceira etapa, há uma "desilusão" ao perceber-se que afinal nem tudo dá para fazer.
  4. A quarta etapa traz uma nova luz sobre o que se pode realmente fazer com o que se tem.
  5. A etapa final já refere a utilização real e produtiva da tecnologia.
Vendo o processo de uma forma tão "crua", quase que faz lembrar alguém numa saída à noite antes de ir falar com a mulher mais bonita da sala. E no final, acaba por sair com a amiga simpática que lhe deu conversa depois da tampa inicial! :)

Piadas à parte, a conclusão do estudo é de que no geral o Cloud Computing já passou a fase das grandes expectativas, mas existem ainda alguns aspectos cujo Hype se encontra extremamente inflaccionado.


O tema da Big Data é uma das vertentes mais próximas do topo das expectativas altas. Com várias iniciativas e empresas a proporem cada vez mais soluções e serviços, o mais provável de acontecer é que os potenciais benefícios que se podem tirar façam com que se passe rapidamente pela desilução e se comecem a implementar grandes projectos, fruto das vantages que daí se podem obter.


PaaS é um termo familiar para qualquer empresa ou pessoa que esteja minimamente informada sobre a Cloud. Grandes empresas como a Microsoft, IBM, Oracle e a já referida Red Hat estão a apostar na Cloud e no PaaS e esta orientação só vai aumentar. PaaS consiste em ter uma "pedaço de núvem" onde podemos alojar as aplicações preocupando-nos apenas com as mesmas e não com sistemas operativos ou componentes de infra-estrutura.


O Cloud Storage foi um dos temas mais focados ao longo de todo este tempo. No entanto, foi um dos que mais críticas levou também, fruto de alguns problemas que ocorreram num passado recente com alguns dos maiores fornecedores como a Amazon e o Salesforce.com. A Gartner recomenda a utilização de Cloud pública para aplicações não críticas enquanto não estiverem reunidas as condições legais e de segurança necessárias.


Além dos temas referidos, o artigo refere algumas tendências interessantes de que ainda não falei.

Community Cloud - Na prática, juntar economias de escala a economias de cloud. Clouds partilhadas entre empresas para tirar partido de melhores condições financeiras.

Cloudbursting - Tirar partido da elasticidade da Cloud em cenários de carga que o justifiquem. Actualmente já é possível fazê-lo mas maioritariamente de forma manual. A Gartner prevê que esta seja uma tendência em breve, mas a tecnologia ainda tem de amadurecer. Estamos a falar de transição de workloads entre fornecedores cloud diferentes, e para isso é necessária a criação de standards de modo a garantir a portabilidade.

Sunday, August 12, 2012

Um mercado potencialmente Cloud

A Gartner já nos habituou aos inúmero estudos, que pretendem colocar no papel tendências apreendidas junto de quem decide no mundo das TI. O meu objectivo hoje é analisar algumas das conclusões do último relatório trimestral que a empresa apresentou relativamente à Cloud.

O mercado Cloud totalizou 91 biliões USD e prevê-se que em 2016 mais que duplique, ultrapassando os 200 biliões USD. Até agora, tem sido o BPaaS o maior responsável pela utilização da Cloud nas empresas, em termos percentuais, mas novos serviços como PaaS e IaaS irão mudar este panorama. Não deixa de ser interessante verificar que a vertente mais utilizada da Cloud nas empresas é, porventura, uma das mais estanques. A empresa faz outsourcing dos processos em causa. Existem variáveis de entradas e resultados na saída, tipo caixa negra, e a empresa nem tem de se preocupar com o que se passa no entretanto. Se pensarmos em todas as oportunidades de outras vertentes Cloud por aproveitar, vemos que este é definitivamente um mercado para apostar.

A análise revela ainda que em traços gerais o mercado de IT irá ter um crescimento de 3% de ano para ano. O volume de negócio envolvido é imenso, ronda os 3.6 triliões USD, extremamente apetecíveis, mas em termos de crescimento verifica-se um abrandamento, muito próximo de uma estabilização. 

As soluções e serviços Cloud, por outro lado, têm um crescimento previsto exponencial. E aqui fará sem dúvida diferença quem chegar primeiro. Passo a explicar.

À luz de uma das muitas abordagens da sociedade a novas tecnologias, houve uma que me pareceu extremamente simples e esclarecedora daquilo que sinto no dia a dia profissional. Aconselho a leitura do livro "Crossing the Chasm", the Geoffrey Moore para ter mais informação sobre o que vou falar em seguida. Podem consultar um resumo do livro aqui.

Explicando um pouco a imagem à esquerda, apresenta uma distribuição que simboliza o mercado. E como em qualquer mercado, há quem adopte a tecnologia no início e quem nunca sequer considere em adoptá-la. Além disso, mesmo entre quem adopta, existe quem comece no início e quem espere para ver.

Primeiro, temos os inovadores / visionários, que abraçam novas tendências no princípio. São os primeiros a sentir as dores mas também os primeiros a colher os frutos, e têm um papel muitas vezes decisivo na evolução da própria tecnologia. Depois existem os mais pragmáticos, que estão a aguardar por provas dadas antes de mudarem a sua abordagem. De seguida, os conservadores, que mesmo tendo provas têm também algum "receio de nadar em águas desconhecidas". E no final, temos os cépticos: por muitas provas que existam, casos de referência de clientes, entre outros, nunca vão por vontade própria, dar o passo. Porque não.

O meu dia de trabalho é composto muitas vezes por reuniões. De há algum tempo para cá, reuniões com clientes onde tento promover o caminho para a Cloud como uma jornada que se torna mais simples e eficaz quando feita em conjunto com alguém que saiba do que se está a falar e o que fazer. E a verdade é que vejo que está muita gente ainda do lado direito do "chasm", ou à falta de melhor expressão, da "trincheira". Poder atravessar até podem, mas deste lado os tiros não chegam por isso para quê? Vamos esperar que acabe o barulho dos disparos e vamos quando tudo acalmar. O que muitas destas empresas parecem não compreender é que quando a sua "guerra" terminar, no outro lado os territórios estarão já todos conquistados.

O mercado está cada vez mais a dar provas de que o caminho é a Cloud. Grandes empresas, como a Microsoft, estão a repensar todas as suas estratégias, culturas, formas de trabalhar, sistemas de incentivos e muito mais, com base no que se avizinha. E se grandes empresas estão a fazer a mudança, as pequenas e médias não podem esperar que tudo corra como anteriormente. A mudança tem um racional muito fácil de perceber: o caminho para o dinheiro, num futuro próximo, é por ali. Então, é por ali que vamos.

A dificuldade que algumas empresas ainda têm para falar da sua estratégia Cloud torna-se evidente a cada interacção minha com um novo cliente. É necessário começar a desbravar caminho, e a descobrir como tirar partido destas novas tecnologias. Está na hora de lançar mãos ao caminho e atravessar as trincheiras. Só quem o fizer poderá começar desde já a tirar partido do potencial mercado que ganha cada vez mais forma.

Referências: http://www.talkincloud.com/gartner-public-cloud-service-growth-outpacing-overall-it/.

Tuesday, August 7, 2012

Cloud Consulting | Consultoria Cloud

A tecnologia é muitas vezes uma incógnita para as empresas. Todos os dias os decisores são inundados por informação sobre novas tendências, tecnologias, metodologias, entre outros.  A informação chega das mais diversas formas e canais: newsletters, imprensa e muitas vezes os próprios colaboradores."A tecnologia X é a última tendência do mercado" ou "Já conhece a tecnologia Y? É a next big thing!" são frases passíveis de ser proferidas por colaboradores que pretendem influenciar a realidade empresarial em que trabalham de um modo positivo e inovador. E, no final, como conseguem os decisores lidar com tanta informação?

Não conseguem.

A verdade é que é extremamente complicado estar a par de todas as tendências e inovações tecnológicas. Ainda assim há quem tente fazê-lo. Se por um lado é compreensível que uma empresa tente gerir a inovação dentro de portas, esta tarefa é avassaladora. E a consequência disto, como caricaturado abaixo, é uma dificuldade em responder a planos concretos propostos devido à dificuldade em avaliar o sucesso dos mesmos.

December 08, 2009

O Cloud Computing não é excepção. Mais ainda, tem um conjunto de características que fazem com que a mudança não seja apenas tecnológica mas muitas vezes do próprio negócio. E por esse motivo é importante poder contar com empresas que ofereçam o seu know-how e experiência de modo a "tornar a viagem o mais tranquila possível".

O conceito de Cloud Consulting é claro. Serviços de consultoria direccionados para a Cloud. Existem várias possibilidades no que respeita ao serviço a ser prestado, de um ponto de vista técnico:
  • Migração de aplicações para a Cloud.
  • Implementação de cenários de Backup e Disaster Recovery.
  • Ambientes de desenvolvimento e qualidade virtualizados.
  • Infra-estrutura de suporte a aplicações, para processamento em grande escala.
Os exemplos acima são apenas alguns entre os que até hoje tive oportunidade de encontrar. São desafios tecnológicos que juntam clientes e equipas de desenvolvimento num objectivo comum: adaptar o que têm ou pretendem ter a um cenário Cloud.

Apesar de serem desafios muito interessantes do ponto de vista tecnológico, gostaria de me focar na componente de negócio associada a modelos Cloud.

Como já tive oportunidade de referir, e como frequentemente digo de forma coloquial, a Cloud é o negócio do "pinga-pinga". E aqui começa o verdadeiro desafio para as empresas, no que respeita ao seu negócio. Aliás, o tema tem uma importância tal e é de tal maneira diferente da realidade usual, que muitos advogam que a melhor alternativa é criar unidades ou mesmo empresas distintas dentro de um mesmo grupo para gerir a realidade Cloud.Tudo isto porque existem particularidades na tecnologia e na forma de a utilizar que mudam radicalmente a forma como, por um lado, as empresas pagam pelos serviços, e por outro a forma como os clientes finais pagarão pelos mesmos serviços à empresa.

Por tudo isto, é imperativo encarar não só a vertente tecnológica mas também a vertente de negócio da Cloud. E não me refiro apenas a empresas que pretendam oferecer os seus produtos a clientes numa óptica de serviço. Estou também a contemplar todas as empresas que queiram tirar partido da tecnologia, porque também para essa utilização interna se torna necessário definir um plano e uma abordagem a seguir.

Algo que tem resultado bastante bem na forma como discuto com algumas empresas o negócio da Cloud é a abordagem Business Model Canvas. Guardando descrições detalhadas para outro post, esta é uma forma detalhada de identificar as várias componentes desta nova abordagem, servindo depois como base para um Business Plan mais detalhado.

As empresas podem tirar partido da experiência em Cloud que outros possuem, fruto de implementações e projectos (uns melhores e outros menos bons). E é inegável que tirar partido de Cloud Consulting para isso em vez de "percorrer o caminho sozinho" permitirá às empresas começarem a usufruir das vantagens mais cedo.