Friday, August 17, 2012

Os termos mais "Hype" da Cloud

Confesso que não fazia ideia de que a Gartner avaliava o quão Hype são as tecnologias, por isso foi com alguma surpresa que recebi o seguinte artigo: Gartner: Cloud computing's most over-hyped terms.

Ao que parece, as tecnologias podem encontrar-se, em termos de ciclo de vida, numa de 5 fases distintas:
  1. Etapa inicial, que contempla o Trigger para a tecnologia, ou seja, o driver que leva a que a mesma surja.
  2. Segunda etapa, onde as expectativas inflaccionadas relativamente ao que se pode fazer com a tecnologia.
  3. Na terceira etapa, há uma "desilusão" ao perceber-se que afinal nem tudo dá para fazer.
  4. A quarta etapa traz uma nova luz sobre o que se pode realmente fazer com o que se tem.
  5. A etapa final já refere a utilização real e produtiva da tecnologia.
Vendo o processo de uma forma tão "crua", quase que faz lembrar alguém numa saída à noite antes de ir falar com a mulher mais bonita da sala. E no final, acaba por sair com a amiga simpática que lhe deu conversa depois da tampa inicial! :)

Piadas à parte, a conclusão do estudo é de que no geral o Cloud Computing já passou a fase das grandes expectativas, mas existem ainda alguns aspectos cujo Hype se encontra extremamente inflaccionado.


O tema da Big Data é uma das vertentes mais próximas do topo das expectativas altas. Com várias iniciativas e empresas a proporem cada vez mais soluções e serviços, o mais provável de acontecer é que os potenciais benefícios que se podem tirar façam com que se passe rapidamente pela desilução e se comecem a implementar grandes projectos, fruto das vantages que daí se podem obter.


PaaS é um termo familiar para qualquer empresa ou pessoa que esteja minimamente informada sobre a Cloud. Grandes empresas como a Microsoft, IBM, Oracle e a já referida Red Hat estão a apostar na Cloud e no PaaS e esta orientação só vai aumentar. PaaS consiste em ter uma "pedaço de núvem" onde podemos alojar as aplicações preocupando-nos apenas com as mesmas e não com sistemas operativos ou componentes de infra-estrutura.


O Cloud Storage foi um dos temas mais focados ao longo de todo este tempo. No entanto, foi um dos que mais críticas levou também, fruto de alguns problemas que ocorreram num passado recente com alguns dos maiores fornecedores como a Amazon e o Salesforce.com. A Gartner recomenda a utilização de Cloud pública para aplicações não críticas enquanto não estiverem reunidas as condições legais e de segurança necessárias.


Além dos temas referidos, o artigo refere algumas tendências interessantes de que ainda não falei.

Community Cloud - Na prática, juntar economias de escala a economias de cloud. Clouds partilhadas entre empresas para tirar partido de melhores condições financeiras.

Cloudbursting - Tirar partido da elasticidade da Cloud em cenários de carga que o justifiquem. Actualmente já é possível fazê-lo mas maioritariamente de forma manual. A Gartner prevê que esta seja uma tendência em breve, mas a tecnologia ainda tem de amadurecer. Estamos a falar de transição de workloads entre fornecedores cloud diferentes, e para isso é necessária a criação de standards de modo a garantir a portabilidade.

Thursday, August 16, 2012

Red Hat aposta na Cloud

Não são apenas os grandes players do mercado comercial a apostar na Cloud. A Red Hat disponibilizou uma versão do seu sistema operativo baseada no OpenStack. As notícias sobre uma possível versão cloud surgiram em Abril passado, num relatório da GigaOm. Confirma-se agora a disponibilização para testes de uma primeira versão do produto que se espera final algures em 2013, dando à Red Hat tempo de sobra para testar e afinar o produto com base no feedback recebido.

O conceito do OpenStack é interessante e comum num mundo Open Source. Consiste num conjunto de empresas e pessoas que pretendem desenvolver um sistema operativo cloud baseado em standards abertos e acessível a qualquer pessoa. Além disso, o facto de ser suportado pela NASA e pela Rackspace Hosting dá-lhe credibilidade. A Red Hat junta-se ao grupo para conferir ao projecto o peso e importância que ele tem.

Questões proprietárias / open source à parte, esta é uma boa notícia porque significa que já existe mais uma frente a avançar na utilização de Cloud, e quantas mais apostas existirem nesse sentido mais a tecnologia avança.

Sunday, August 12, 2012

Um mercado potencialmente Cloud

A Gartner já nos habituou aos inúmero estudos, que pretendem colocar no papel tendências apreendidas junto de quem decide no mundo das TI. O meu objectivo hoje é analisar algumas das conclusões do último relatório trimestral que a empresa apresentou relativamente à Cloud.

O mercado Cloud totalizou 91 biliões USD e prevê-se que em 2016 mais que duplique, ultrapassando os 200 biliões USD. Até agora, tem sido o BPaaS o maior responsável pela utilização da Cloud nas empresas, em termos percentuais, mas novos serviços como PaaS e IaaS irão mudar este panorama. Não deixa de ser interessante verificar que a vertente mais utilizada da Cloud nas empresas é, porventura, uma das mais estanques. A empresa faz outsourcing dos processos em causa. Existem variáveis de entradas e resultados na saída, tipo caixa negra, e a empresa nem tem de se preocupar com o que se passa no entretanto. Se pensarmos em todas as oportunidades de outras vertentes Cloud por aproveitar, vemos que este é definitivamente um mercado para apostar.

A análise revela ainda que em traços gerais o mercado de IT irá ter um crescimento de 3% de ano para ano. O volume de negócio envolvido é imenso, ronda os 3.6 triliões USD, extremamente apetecíveis, mas em termos de crescimento verifica-se um abrandamento, muito próximo de uma estabilização. 

As soluções e serviços Cloud, por outro lado, têm um crescimento previsto exponencial. E aqui fará sem dúvida diferença quem chegar primeiro. Passo a explicar.

À luz de uma das muitas abordagens da sociedade a novas tecnologias, houve uma que me pareceu extremamente simples e esclarecedora daquilo que sinto no dia a dia profissional. Aconselho a leitura do livro "Crossing the Chasm", the Geoffrey Moore para ter mais informação sobre o que vou falar em seguida. Podem consultar um resumo do livro aqui.

Explicando um pouco a imagem à esquerda, apresenta uma distribuição que simboliza o mercado. E como em qualquer mercado, há quem adopte a tecnologia no início e quem nunca sequer considere em adoptá-la. Além disso, mesmo entre quem adopta, existe quem comece no início e quem espere para ver.

Primeiro, temos os inovadores / visionários, que abraçam novas tendências no princípio. São os primeiros a sentir as dores mas também os primeiros a colher os frutos, e têm um papel muitas vezes decisivo na evolução da própria tecnologia. Depois existem os mais pragmáticos, que estão a aguardar por provas dadas antes de mudarem a sua abordagem. De seguida, os conservadores, que mesmo tendo provas têm também algum "receio de nadar em águas desconhecidas". E no final, temos os cépticos: por muitas provas que existam, casos de referência de clientes, entre outros, nunca vão por vontade própria, dar o passo. Porque não.

O meu dia de trabalho é composto muitas vezes por reuniões. De há algum tempo para cá, reuniões com clientes onde tento promover o caminho para a Cloud como uma jornada que se torna mais simples e eficaz quando feita em conjunto com alguém que saiba do que se está a falar e o que fazer. E a verdade é que vejo que está muita gente ainda do lado direito do "chasm", ou à falta de melhor expressão, da "trincheira". Poder atravessar até podem, mas deste lado os tiros não chegam por isso para quê? Vamos esperar que acabe o barulho dos disparos e vamos quando tudo acalmar. O que muitas destas empresas parecem não compreender é que quando a sua "guerra" terminar, no outro lado os territórios estarão já todos conquistados.

O mercado está cada vez mais a dar provas de que o caminho é a Cloud. Grandes empresas, como a Microsoft, estão a repensar todas as suas estratégias, culturas, formas de trabalhar, sistemas de incentivos e muito mais, com base no que se avizinha. E se grandes empresas estão a fazer a mudança, as pequenas e médias não podem esperar que tudo corra como anteriormente. A mudança tem um racional muito fácil de perceber: o caminho para o dinheiro, num futuro próximo, é por ali. Então, é por ali que vamos.

A dificuldade que algumas empresas ainda têm para falar da sua estratégia Cloud torna-se evidente a cada interacção minha com um novo cliente. É necessário começar a desbravar caminho, e a descobrir como tirar partido destas novas tecnologias. Está na hora de lançar mãos ao caminho e atravessar as trincheiras. Só quem o fizer poderá começar desde já a tirar partido do potencial mercado que ganha cada vez mais forma.

Referências: http://www.talkincloud.com/gartner-public-cloud-service-growth-outpacing-overall-it/.

Friday, August 10, 2012

Cloud-enabled

Julgo que serão poucos os profissionais de Tecnologias de Informação que, presentemente, não terão conhecimento sobre o tema cloud. O cloud computing é o futuro das organizações modernas.

E é o futuro porque trata-se de uma ferramenta poderosa. O principal fator é a consequente redução de custos que decorre da sua adoção. Fácil de comprovar o retorno de investimento, numa vasta panóplia de cenários, constitui um fortíssimo atrativo a decisores de topo.

Os serviços cloud devem ser, atualmente, organizados de acordo com quatro grupos de categorias:
  • IaaS (Infrastructure as a Service) – aqui enquadra-se todo o hardware (e.g. servidores, storage, rede)
  • PaaS (Platform as a Service) – plataforma computacional na qual serão provisionados os serviços desenvolvidos
  • SaaS (Software as a Service) – que não é mais que um modelo de fornecimento de software assegurado através da Internet
  • BPaaS (Business Process as a Service) – uma combinação de BPO (Business Process Outsourcing) com SaaS, que será um tema que pretendo partilhar um novo post convosco


Qual a melhor abordagem para me tornar Cloud-enabled?
  1. Analisar as aplicações que utilizam atualmente – este é um passo, na minha opinião, opcional, pois poderá utilizar toda a informação atualmente disponível na Internet para se inspirar.
  2. Procurar exemplos de aplicação, procurar casos de sucesso, procurar referências!
  3. Identificar um parceiro bem-sucedido numa implementação cuja realidade se assemelhe à sua.

A partir desta fase deverá ter à sua disposição a referência com que se identifica e o parceiro que selecionou – chega então o momento de passar à prática:
  1. Realizar a análise e auditoria à infraestrutura e aplicações existentes e relevantes neste âmbito
  2. Obtenção de relatório de análise que deverá identificar: 
    1.  Análise de impacto de modelo Cloud-enabled 
    2. Arquitetura da solução
    3. Apresentação de ROI
    4. Tempo e custo de implementação de piloto

Chegámos à fase de decisão, terá (idealmente) na sua posse algo que sustenta a viabilidade financeira de adotar o cloud computing. É importante que, caso pretenda avançar, realize o piloto/prova de conceito pois:
  • Estes deverão ter custos de investimento menores
  • Representam um menor risco para a Organização
  • São de rápida implementação
  • Permite-lhe avaliar o parceiro que selecionou para a fase prática deste processo

 
Certamente será acordado por ambas as partes um tempo de execução do piloto, para que se consigam apurar resultados no final do mesmo.

Estes resultados serão de extrema importância pois permitirão à sua Organização uma valiosa introspeção tanto ao nível técnico como de negócio.

Tuesday, August 7, 2012

Cloud Consulting | Consultoria Cloud

A tecnologia é muitas vezes uma incógnita para as empresas. Todos os dias os decisores são inundados por informação sobre novas tendências, tecnologias, metodologias, entre outros.  A informação chega das mais diversas formas e canais: newsletters, imprensa e muitas vezes os próprios colaboradores."A tecnologia X é a última tendência do mercado" ou "Já conhece a tecnologia Y? É a next big thing!" são frases passíveis de ser proferidas por colaboradores que pretendem influenciar a realidade empresarial em que trabalham de um modo positivo e inovador. E, no final, como conseguem os decisores lidar com tanta informação?

Não conseguem.

A verdade é que é extremamente complicado estar a par de todas as tendências e inovações tecnológicas. Ainda assim há quem tente fazê-lo. Se por um lado é compreensível que uma empresa tente gerir a inovação dentro de portas, esta tarefa é avassaladora. E a consequência disto, como caricaturado abaixo, é uma dificuldade em responder a planos concretos propostos devido à dificuldade em avaliar o sucesso dos mesmos.

December 08, 2009

O Cloud Computing não é excepção. Mais ainda, tem um conjunto de características que fazem com que a mudança não seja apenas tecnológica mas muitas vezes do próprio negócio. E por esse motivo é importante poder contar com empresas que ofereçam o seu know-how e experiência de modo a "tornar a viagem o mais tranquila possível".

O conceito de Cloud Consulting é claro. Serviços de consultoria direccionados para a Cloud. Existem várias possibilidades no que respeita ao serviço a ser prestado, de um ponto de vista técnico:
  • Migração de aplicações para a Cloud.
  • Implementação de cenários de Backup e Disaster Recovery.
  • Ambientes de desenvolvimento e qualidade virtualizados.
  • Infra-estrutura de suporte a aplicações, para processamento em grande escala.
Os exemplos acima são apenas alguns entre os que até hoje tive oportunidade de encontrar. São desafios tecnológicos que juntam clientes e equipas de desenvolvimento num objectivo comum: adaptar o que têm ou pretendem ter a um cenário Cloud.

Apesar de serem desafios muito interessantes do ponto de vista tecnológico, gostaria de me focar na componente de negócio associada a modelos Cloud.

Como já tive oportunidade de referir, e como frequentemente digo de forma coloquial, a Cloud é o negócio do "pinga-pinga". E aqui começa o verdadeiro desafio para as empresas, no que respeita ao seu negócio. Aliás, o tema tem uma importância tal e é de tal maneira diferente da realidade usual, que muitos advogam que a melhor alternativa é criar unidades ou mesmo empresas distintas dentro de um mesmo grupo para gerir a realidade Cloud.Tudo isto porque existem particularidades na tecnologia e na forma de a utilizar que mudam radicalmente a forma como, por um lado, as empresas pagam pelos serviços, e por outro a forma como os clientes finais pagarão pelos mesmos serviços à empresa.

Por tudo isto, é imperativo encarar não só a vertente tecnológica mas também a vertente de negócio da Cloud. E não me refiro apenas a empresas que pretendam oferecer os seus produtos a clientes numa óptica de serviço. Estou também a contemplar todas as empresas que queiram tirar partido da tecnologia, porque também para essa utilização interna se torna necessário definir um plano e uma abordagem a seguir.

Algo que tem resultado bastante bem na forma como discuto com algumas empresas o negócio da Cloud é a abordagem Business Model Canvas. Guardando descrições detalhadas para outro post, esta é uma forma detalhada de identificar as várias componentes desta nova abordagem, servindo depois como base para um Business Plan mais detalhado.

As empresas podem tirar partido da experiência em Cloud que outros possuem, fruto de implementações e projectos (uns melhores e outros menos bons). E é inegável que tirar partido de Cloud Consulting para isso em vez de "percorrer o caminho sozinho" permitirá às empresas começarem a usufruir das vantagens mais cedo.